The European Zugzwang
And now, what move will our ‘dear leaders’ make?
From World War II to the present day, no country in Europe has had to choose any particular path. Eastern Europe followed the USSR, Western Europe the USA. After the breakup of the Soviet world, everyone followed the USA, and the only one that refused to do so (Yugoslavia) followed the same fate as the defunct USSR. Except for Serbia, all the former republics of the Yugoslav Federation are already part of or in the process of becoming part of NATO.
Blind men leading the blind, European leaders – if Europe has any leadership within its continent – have forgotten everything about the art of choosing their paths wisely. Three generations have already lacked the practice of walking judiciously, looking at maps and knowing how to use a compass.
A terrible irony, considering that it was this same Europe that once set out in search of previously unknown paths, with far fewer means of guidance than those now available to everyone.
For several decades, it could be said that European leaders took advantage of this lack of concern about direction to dedicate themselves to the internal development of their nations. Now, not even that: when one forgets how to walk, the leg muscles atrophy, and therefore we can say that at this moment Europe has regressed to the age of an infant: it is on all fours and its range of movement is frankly limited.
Recent events in Venezuela place Europe in the famous Zugzwang situation, a German term meaning “forced to play.” The idea behind this term is that in some positions it would be advantageous for a player to forgo their turn, because moving any piece would always benefit their opponent. However, in chess, as in some real-life situations, the rules do not allow one to ‘pass’ their turn.
So European countries either support the US in yet another colonialist adventure or condemn the aggression. In the first case, they will be left without any argument should Trump decide to annex Greenland and – who knows? – the Azores archipelago (don’t forget that the largest US border with a European country is maritime, in this case with Portugal). And Canada, why not? In a way, that country is still under the British crown.
In the second case, the US could well retaliate by dissolving NATO and letting Europe deal with Russia, which has been and continues to be stupidly antagonized by the EU and the UK. This scenario is not a tragedy for ordinary citizens, but for those who act as rulers in European countries it is terrifying.
It is no wonder, then, that the European neurocrats are confused and sending contradictory signals. There is no good option in the move that Europe will be forced to make.
(…)
O Zugzwang Europeu
E agora, que jogada os nossos ‘queridos líderes’ farão?
Desde a 2ª guerra mundial até hoje, nenhum país da Europa teve de escolher qualquer caminho. A Europa Oriental seguia a URSS, a Ocidental os EUA. Depois do desmembramento do mundo soviético, todos passaram a seguir os EUA e o único que se recusou a fazê-lo (a Jugoslávia) seguiu o mesmo destino da extinta URSS. Excepto a Sérvia, todas as ex repúblicas da Federação Jugoslava jáintegram ou estão em vias de integrar a NATO.
Cegos guiados por um cego, os líderes europeus – se é que a Europa tem alguma liderança dentro do seu continente- desaprenderam tudo sobre a arte de bem escolher seus caminhos. Já lá vão 3 gerações de falta de prática de caminhar judiciosamente, olhando os mapas e sabendo usar a bússola.
Uma ironia terrível se considerarmos que foi essa mesma Europa que em tempos partiu em busca de caminhos até aí desconhecidos, com bem menos meios de orientação que aqueles que agora estão à disposição de todos.
Durante algumas décadas podia dizer-se que os mandantes europeus aproveitaram essa despreocupação com o rumo para se dedicarem ao desenvolvimento interno de suas nações. Agora nem isso: quando se desaprende de caminhar, os músculos das pernas atrofiam e portanto podemos dizer que neste momento a Europa regrediu até à idade de um lactente: está de gatas e seu raio de locomoção encontra-se francamente limitado.
Os eventos recentes na Venezuela colocam a Europa na célebre situação de Zugzwang, um termo alemão que significa “obrigado a jogar”. A ideia por trás desse termo é que em algumas posições seria vantajoso para um jogador abdicar da sua vez de jogar, porque mover qualquer peça beneficiariá sempre o seu oponente. Só que no xadrez como nalgumas situações da vida real, as regras não permitem que se ‘passe’ sua vez de jogar.
Então os países europeus ou apoiam os EUA em mais uma aventura colonialista ou condenam a agressão. No primeiro caso, ficarão sem qualquer argumento caso Trump decida anexar a Groenlândia e – quem sabe? – o arquipélago dos Açores (não esquecer que a maior fronteira dos EUA com um país europeu é marítima, no caso com Portugal). E o Canadá, porque não? De certa forma esse país ainda está sob a coroa britânica.
No segundo caso, os EUA podem bem retaliar extinguindo a NATO e deixando a Europa entender-se com a Rússia que estupidamente foi e continua a ser hostilizada pela EU e Reino Unido. Este cenário para os cidadãos comuns não é uma tragédia mas para quem passa por mandante nos países europeus é aterrorizador.
Não admira então que os neurocratas estejam confusos e emitam sinais contraditórios. Não existe nenhuma boa opção, no movimento que a Europa será obrigada a fazer.




Isto faz-me lembrar um dos jogos de xadrez entre dois famosos jogadores, Boris Spassky e Bobby Fischer, em que Fischer estando a perder, pediu para ir à casa de banho. Quando voltou, duas horas mais tarde, tinha perdido o jogo por excesso de tempo. Reclamou do resultado, revoltou-se contra os árbitros, mas mesmo assim perdeu. É o que pode acontecer à UE, fingir jogar, mas adiar a jogada até já não ser possivel jogar por ter perdido a oportunidade de o fazer.
A Europa, realisticamente, só tem um caminho. Deixar de afrontar a Rússia e repôr o comércio com a mesma. E deixar de importar armas dos EUA e travar sériamente o rearmamento da Alemanha.Demonstraria bom senso e realismo politico